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Infraestrutura Verde 2.0

July 19, 2019

 
 

Duarte d' Araújo Mata

 

Arquitecto Paisagista pelo Instituto Superior de Agronomia, assessor para o Pelouro do Ambiente, Estrutura Verde , Clima e a da Câmara Municipal de Lisboa. Adjunto do Vereador: e-mail: duarte.mata@cm-lisboa.pt Twitter: @Duarte_AMata

 

 

Lisboa será Capital Verde da Europa em 2020 e para tal muito contribuiu a evolução que a cidade fez na sua infraestrutura verde, três vezes superior aos períodos anteriores a 2008, mais 230 hectares de novos espaços (+15%) numa cidade consolidada. É indesmentível que a infraestrutura verde é hoje uma das ferramentas de combate climático mais eficazes numa perspetiva custo-benefício. Nas cidades onde o artificialismo é factor dominante, a infraestrutura verde mitiga a temperatura dos pavimentos, servindo como amortecedor e recoletor de águas de escoamento e promovendo um conjunto variado de benefícios como o recreio, o desporto, a retenção de poluentes, a biodiversidade, a produção de alimentos, entre vários incluindo até a mobilidade activa.

 

De parques e jardins, Lisboa integra o verde, não como uma estrutura mas sim como uma infraestrutura prestadora de serviços ambientais. Esta transformação assenta sobretudo na perspetiva da infraestrutura verde assentar na criação de espaços contínuos, de maiores dimensões, tornando possível soluções menos intensivas. As soluções de base natural  configuram, neste contexto, um factor de promoção de paisagens mais resilientes, resultando em custos de investimentos inferiores, ao que se junta os de manutenção muito mais reduzidos. Para tal foi aprovado em 2015 um instrumento de monitorização - “Plano de Ação Local para a Biodiversidade de Lisboa - PALBL” - que se articula com a monitorização do próprio Plano Diretor Municipal e que quantifica d desempenho através da análise de diversos indicadores ambientais, sendo posteriormente incluído em 2016 na Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas bem como na adaptação climática do PAESC 2030 (Plano de Ação Energia Sustentável e Clima) no âmbito do Novo Pacto dos Autarcas para o Clima e para a Energia da Comissão Europeia.

 

A caminhar para a conclusão da implementação dos nove corredores verdes previstos, pode considerar-se que a primeira fase de uma “Lisboa Verde” foi atingida com a salvaguarda e conversão para fins non-aedificandii de muitas das áreas que estiveram em risco de ser urbanizadas. Mas é certo que, para o crescimento da infraestrutura verde, os espaços previstos para o período de vigência do PDM 2012-2022 estão a atingir o seu limite.

 

A verdade é que não haverá lugar a grande expansão de corredores verdes estruturantes dentro da cidade, enquanto se mantém em simultâneo falhas de infraestrutura verde no interior de muitos bairros consolidados, significando uma fragilidade para a cidade no futuro.

 

O caminho para 2030 terá assim que basear-se numa nova “infraestrutura verde 2.0”, ou seja,  que reclame o espaço natural onde atualmente predomina a impermeabilização num processo que plasticamente se poderia denominar de “verde sobre o cinzento”. Estas intervenções 2.0 são um dos próximos desafios de Lisboa e terão que progredir na ideia em curso no Corredor Verde do Vale de Alcântara e na renovação da Praça de Espanha – o da “de-pavimentação” -.

A infraestrutura verde 2.0 integrará os principais corredores verdes que cruzam a cidade e ligam à Área Metropolitana, a estrutura de espaços verde de proximidade, logradouros e coberturas verdes, a consolidação do arvoredo de alinhamento como uma verdadeira camada de proteção e ainda o nascimento de “micro-espaços verdes” no seio do próprio espaço público pavimentado, gerando permeabilidade e a necessária sombra.

 

Com a esmagadora maioria das ruas destinadas a espaço rodoviário e de estacionamento, a infraestrutura verde 2.0 terá aqui um desafio complexo, o da disputa de um espaço público precioso e raro obrigando a acelerar um novo paradigma de mobilidade onde o espaço disponível não seja apenas o insuficiente espaço sobrante de todas as ocupações e usos para o carro.

 

2030. Definitivamente uma década decisiva para Lisboa aproxima-se.

 

 

 

 

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